Lisboa, Portugal

Da nem sempre sublime
variedade do mundo,
da não rara amargura,
do remorso,
de tudo,
dia a dia te nutres, dia a dia te envolves!
Dia a dia te expandes - tão grande que és o vulto
sobreposto por vezes à linha do horizonte...
Dia a dia te enforcamos,
e à noite apareces de novo no trópico do sono.
Dia a dia no vento. Dia a dia no tronco.
Tens na carne incorpórea, de memória, mil corpos.
E concentras nos olhos, aglutinantes, glaucos - de um verde que não é de esperança nem de escarro,
mas de lago, de lodo, de limo delinquente,
a saudade e o desprezo do Mundo que te foge,
dia a dia no mármore, dia a dia no vento.
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