quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As ilhas afortunadas



Que voz vem no som das ondas

Que não é a voz do mar?

É a voz de alguém que nos fala,

Mas que se escutamos, cala

Por ter havido escutar.

E só se, meio dormindo,

Sem saber de ouvir ouvimos,

Que ela nos diz a esperança

A que, como uma criança

Dormente, a dormir sorrimos.

São ilhas afortunadas,

São terras sem ter lugar

Onde o rei mora esperando.

Mas, se vamos despertando,

Cala a voz, e há só o mar.


Fernando Pessoa

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